Você precisa tomar um porre!

Essa é uma frase que eu ouço de vez em quando e que sempre me deixa intrigado, para dizer o mínimo. Recentemente, ela apareceu de novo, e eu fiquei pensando…
Eu cresci sendo ensinado que beber era errado. Que apenas pessoas ruins tomavam porre, que uma pessoa decente jamais deveria ficar bêbada, que pessoas bêbadas viviam se metendo em confusões, que faziam coisas de que não se lembravam, que ficavam vulneráveis, etc, etc, etc…
Eu nunca tomei um porre na minha vida! Eu até bebo, não dispenso uma cervejinha, num dia de calor, mas eu nunca tomei um porre e não consigo enxergar que benefícios isso teria! Entretanto, de quando em quando, alguém me fala que eu preciso tomar um porre! E, para me estimular, contam histórias de suas bebedeiras, que invariavelmente acabam em vexames homéricos… E riem, acham graça disso, como se fossem histórias bonitas, dignas de serem contadas! Nada muito estimulante, pelo menos para mim!
Da minha parte, preciso confessar que tenho um pouco de medo! Dizem que a “vantagem” do porre é deixar vir à tona as coisas escondidas, as coisas que a gente tem no fundo da alma, por assim dizer. Nessas horas, eu retruco dizendo que, justamente, isso é um baita risco! Como saber o que vai sair de lá?
Agora, vejam só, desta vez, me disseram uma nova: me disseram que eu saberia, sim, como saber o que viria lá do fundo!

 Neste ponto, é necessária uma historinha de uns tantos anos atrás: estávamos, a turma toda, na praia, de noite, e bebemos, até eu bebi… E estava indo tudo bem, a noite estava gostosa, até que o pessoal começou a ultrapassar a linha vermelha!
 Bom, para encurtar a história, uma das pessoas do grupo, totalmente embriagada, começou a correr em direção ao mar, entrou na água e foi indo em frente, cada vez mais, em direção ao fundo! No desespero, eu comecei a correr em direção a ela, sendo acompanhado por uma outra pessoa que estava alterada mas tinha se mantido aquém da tal linha vermelha! Juntos, conseguimos salvar essa outra pessoa!
Sim, “salvar”! Ou vocês acham que a coisa teria outro desfecho?

Juntando as coisas: se a gente já sabe o que vai sair de dentro de nós quando bebe bastante, será que aquela pessoa sabia que se lançaria ao mar quando ficasse bêbada? Era uma tendência suicida reprimida? Bem, nem tão reprimida assim, se a pessoa sabia... Faz bem mais sentido, para mim, pensar que aquela pessoa não sabia o que estava fazendo.
Aliás, continua não sabendo: no dia seguinte, contamos tudo, e ela não se lembrava de nada! (O que é um dos piores efeitos do álcool, no fundo.)

Bom, para terminar, seria muita falta de modéstia, digamos, eu dizer que sei exatamente o que iria sair de mim se eu ficasse bêbado. Será que me conheço? 100%? E se eu tiver alguma coisa perigosa, aqui dentro?
Então, duas coisas: primeiro, se eu realmente quiser me conhecer, vou fazer terapia! Inclusive porque, depois da sessões, eu vou me lembrar do que foi descoberto!
Segundo, só tomo um porre se, antes, todo mundo que for ao bar comigo, toda a minha família, todos os meus amigos, todo o pessoal do trabalho, todo mundo MESMO, assinar um documento, com firma reconhecida, dizendo que eu vou ser perdoado por TUDO, RIGOROSAMENTE TUDO, ABSOLUTAMENTE TUDO, POR MAIS PREJUDICIAL, OFENSIVO, PERIGOSO, AGRESSIVO, IMORAL, etc, etc, etc, que eu venha a fazer durante a bebedeira!
Mas, cá entre nós: eu já tenho muita coisa para resolver, estando sóbrio! Vou beber para arranjar mais problemas?
De novo, que vantagem isso traria?

Pra finalizar num tom mais leve, um vídeo que, por coincidência, foi publicado recentemente:


FUI

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