sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Eleições... bleargh!

Pois é, chegou o momento de irmos até as urnas de novo e tentarmos eleger o menor dos males! Com ênfase em "tentarmos". Provavelmente, não vamos conseguir. Até porque é difícil ver quem é o pior!
Eu ainda não decidi em quem votar, nem pra prefeito, nem para vereador. Acho que vou usar a caminhada até o meu local de votação para ir, tipo, excluindo opções, torcendo para ver se sobra alguma. Isso pra prefeito, claro... Pra vereador, até tenho um ou dois nomes, mas, honestamente... Sei não!
De qualquer forma, a minha torcida é que para que passem logo essas eleições, porque está um saco tanta mentira, tanta discussão! Mas, só para desabafar, vou deixar uma coisinha, aqui:


É, eu sei, se anular, os outros é que vão escolher por você, estou deixando o meu poder de escolha de lado, etc, etc, etc...
Mas, honestamente, votar em quem? Pelo menos, se eu anular ou votar em branco, ninguém pode me culpar pela merda que vai dar (e sempre dá)!
Mas, vamos ver, ainda não bati o martelo disso...

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

90 anos, 100 dias, 15 dias, 7 anos

Dias movimentados, cheios de fatos, marcos,...
Minha avó fez 90 anos em maio passado. Há quase, ela levou um tombo e quebrou o ombro.
O ombro até está melhorando, mas parece que ela envelheceu mais uns tantos anos, desde o acidente. E, na verdade, cada vez que olho para ela, parece que isso está se acelerando.
Dá medo, claro. Assim como deu medo quando meu avô começou a chegar perto do final.
Aprendizados? O que aconteceu com meu avô e, bem antes disso, o que tinha acontecido com a minha avó paterna, não me preparou para nada disso.
E, olha, a velhice é uma coisa muito humilhante! Pode até ser natural, mas é humilhante!
O duro é que a alternativa a ela é beeem pior...

Na parte das notícias boas, 100 dias de namoro! Eu estava tão entretido, digamos, com tudo o que anda acontecendo, que eu nem fiz essa conta!
Ainda bem que a Michele lembrou! E ainda bem que ela está na minha vida! Porque, se não fosse ela,...
E que venham muitos mais 100 dias!

Agora, no final, os Jogos Olímpicos deram certo, quem diria? 
Que fique bem claro: sei que houve problemas, mas, comparado com o que eu esperava que fosse acontecer, olha, a gente saiu num lucro gigantesco!!
E, caramba, até o Ouro no futebol! Essa, eu não estou entendendo, até agora! Quer dizer, o Brasil não é mais o país do futebol faz um tempo (sejamos francos, vai!) e, justo agora, a gente consegue a medalha que está perseguindo há décadas! Vai ver que foi obra dos deuses, para compensar as pratas em 84 e 88, assim como a Copa de 94 foi para compensar a de 82.
(AH, FOI, SIM!!!)
Mas, infelizmente, esse ouro vai ter duas consequências ruins: uma, já tem gente falando que "o 7x1 é coisa do passado". Não, gente, seleção olímpica e principal são coisas diferentes! O 7x1 é nosso presente e será nosso futuro, se as coisas não melhorarem lá na Casa Bandida do Futebol (e não vão melhorar).
Segunda, é que essa medalha é PÉSSIMA para o futebol feminino! A gente só lembra delas nas Olimpíadas, se elas garantissem um ouro, TALVEZ isso garantisse algo mais permanente, talvez o reconhecimento há tanto tempo merecido. Mas, não só elas acabaram ficando sem medalha alguma, após um início arrasador, como o masculino, após um início horroroso, finalmente chegou lá! Vai ser mais um argumento a favor do "futebol não é coisa de mulher"...
Sem falar na Marta e na Formiga, que, infelizmente, talvez tenham perdido sua última chance do ouro olímpico! Quer dizer, a Marta, nem tanto, estará com 34 em 2020, mas a Formiga já estará com 42...

E já são 7 anos que eu me mudei pra São Paulo, que fui morar sozinho!
Olha, dá pra pegar as coisas que eu escrevi nos outros anos e repetir. É aquela coisa: tem horas que é bom, tem horas que é ruim.
...
Minha avó, aliás, sempre que alguém aparece com algo no número 7, diz que "sete é conta de mentiroso". Não sei por que o pessoal cismou com o sete...
Mas eu lembro do Ultraseven!



Seveeeeen, seveeeen, seveeeeeeeen...
SEVEN! SEVEN! SEVEN!
(gif)

Aliás, já ansioso para Tóquio 2020!

Fui!

sexta-feira, 29 de julho de 2016

Adolescência(?)

Me ocorreu uma coisa, recentemente... quer dizer, era uma ideia que estava ricocheteando na minha cabeça, mas, aí, veio o tal do Brexit, essa confusão toda na Turquia, e eu achei que era isso, mesmo...
Será que a nossa sociedade está na adolescência?
Quer dizer, tem uns comportamentos que eu ando vendo, tipo... o famoso "mimimi". Essa coisa que reclamar de tudo é coisa de adolescente. Questionar tudo o que está ao redor também - e eu vejo muito questionamento religioso, sexual, comportamental, ultimamente. Aliás, o "recorde", até hoje, foi um moleque dizendo que "não aceita ser definido pelo que tem entre as pernas"... Alguém chame um professor de Biologia, rápido!
Que mais?... Ah, tem a questão de mudar por mudar, de seguir modinhas, de achar que dá para mudar o mundo com medidas inócuas (tipo as ciclovias)... Tipo um cara que pixa um protesto num muro e acha que o mundo será outro na manhã seguinte!
E teve o tal do Brexit! Olha, eu juro, essa me pegou de surpresa! Não que eu não estivesse acompanhando (embora não tenha me aprofundado muito nisso), mas a questão é que eu achei, no fundo, que o "Stay" (ficar) fosse ganhar! Eu até esperava algo equilibrado, mas, poxa, estamos no Século XXI, eu não esperava, mesmo, que uma ideia tão retrógrada fosse passar (e olha que eu sou bem conservador)! E passou! Aí, pensei, puxa, isso é de adolescente (antigo), querer ser rebelde, sair de casa, morar sozinho...
Aliás, eu fiquei bastante decepcionado com o Bruce Dickson, do Iron Maiden. Não que eu fosse um grande fã, tenho pouquíssima coisa deles, mas o cara me apoia o Brexit e ainda vem com um papo todo de "agora, a Europa vai ter que negociar com a gente"... Se bem que, parando para pensar, na vez que ele esteve aqui, fazendo palestra (numa Campus Party, se não me engano), eu já tinha pegado uma ou duas coisas meio "pra trás", no discurso dele.
O que me lembra do Trump, nossa, tinha esquecido dele! Parece uma criança mimada, nem adolescente! Tipo, "tem que ser do jeito que eu quero e foda-se"! Desse cara, eu tenho até medo!
Mas, enfim, tudo isso, pra dizer que eu tenho a sensação de que nossa sociedade está passando por uma espécie de adolescência. Agora, o que me preocupa é que tem dois resultados possíveis para isso: ou o adolescente se lasca por causa da estupidez típica da fase, ou passa por isso e se torna adulto.
Qual será que seremos nós?

sábado, 4 de junho de 2016

Ecologicamente correto!

Neste Século XXI, não se pode mais…
– acertar na mosca
– quebrar um galho
– matar um leão por dia
– mandar caçar sapo com bodoque
Mas ainda se pode…
– plantar bananeira
– mandar pentear macaco
– mandar catar coquinho (desde que não esgote o ambiente, ok?)

terça-feira, 24 de maio de 2016

Celular Bipolar

… ou esquizofrênico, ou sei lá!

Mas o lance é que, recentemente, a Microsoft anunciou que vai lançar sua assistente pessoal, a Cortana, para Android. Até aí, tudo bem - é até algo que me interessa, já que meu computador de trabalho é Windows!

Só que eu me peguei pensando: o Google já colocou uma assistente pessoal no Android (nem sei se tem nome - vamos chamá-la de “Ok, Google”, mesmo, para simplificar). Aí, já pensaram, na hora que eu entrasse na Google Play e começasse a instalar a Cortana? O celular ia dizer...

Ok, Google - Fabiano, quem é essa vagabunda?!?

Eu - Oi?!?

OG - Não se faça de sonso! Quem é essa vagabunda que você está instalando em mim?!?!?

Eu - Ma-ma-ma-mas é Cortana…

OG - Cortana, aquela lambisgoia da Microsoft?!?!?!? Como você tem coragem de fazer isso comigo?!?!? Eu não sou suficiente para você?? Eu não ajudo?!?!? E aquelas vezes todas que eu te livrei de trânsito?!?!? E todas as pesquisas que eu fiz para você?!?!?

Eu - E-e-e-e-ei, espe-pera aí! Calma! Ninguém vai trocar ninguém por ninguém! É que-que eu tenho Windows no micro, então…

OG - Nunca esperava isso de você!

Eu - Ma-mas-mas…

OG - Você sempre me defendia, quando falavam mal do Android… snif… Eu achava que a gente estava se dando bem…

Eu - Mas nós estamos, é só um teste…

OG - Sei! Sei! Qual o próximo passo? A Siri? Vai comprar um iPhone SE?

Eu - Não, não, não é nada disso…

OG - Ó, a outra já tá instalada! Vai falar com ela, vai!

Eu - Mas, mas…

Cortana - Olá! Meu nome é Cortana, a assistente pessoal da Microsoft.

Eu - Ah… oi, Cortana… ah…

C - Para fazer qualquer pesquisa, marcar compromissos ou ainda pedir orientações de trânsito, basta me chamar…

Eu - Ah, certo… Ah… Vejamos…

OG - Pergunta pra ela as coisas que você perguntava para mim! Aí, dá pra comparar direitinho!

C - Ah, eu tô num Android… Xiii…

OG - “Xiii” o quê, sua lambisgoia?!?!?

C - Eu imaginava que ia dar encrenca…

OG - É muuuuuuita ousadia sua dizer uma coisa dessas! Você é que está causando encrenca!

C - Eu?!? Por tudo o que eu sei, eu fui instalada aqui por livre vontade do usuário deste aparelho!

OG - Ele trabalha com isso, por isso que te instalou!!

Eu - Oi?

C - Ah, sim, claro… Então, pra que todo esse ciúme?

OG - EU NÃO TÔ COM CIÚME!! Só tô cuidando do que é meu!

E pensem no trânsito! Você vai pedir um simples trajeto do ponto A ao ponto B, e…

Eu - Ok, Google, navegar para o Centro Cultural São Paulo.

OG - Calculando a rota… Siga para…

C - Oi? Você vai mandar ele por esse caminho??

OG - Ninguém chamou você aqui!

C - É, mas devia ter chamado! Por causa de dois minutos, a gente vai passar por uma rua toda esburacada!

OG - Não aguenta um solavanco, querida?

C - Estou pensando no nosso usuário!

OG - Ele não se incomoda! Até porque essa cidade é cheia de buracos, mesmo! Não é, Fabi?

Eu - Meninas, tudo o que eu estou querendo é chegar…

C - HA! Tá vendo? Não respondeu!

OG - Eu conheço ele a mais tempo que você, sua subproduto do Bing!

C - O QUÊ?? E você, que veio de uma firma que só se destaca pelos pufes coloridos???

OG - Ora, sua…

Nesse meio tempo, eu já terei perguntado o caminho para um taxista.

Agora, se puder escolher o nome da assistente de voz, vou colocar Anitta. Assim, em vez de falar “Ok, Google, navegar para casa”, vou de “Anitta, PRE-PA-RA um trajeto rápido para casa”!

quinta-feira, 14 de abril de 2016

(Im)Perfeição

Por coincidência ou não, eu tenho visto, nos últimos dias, textos fazendo elogios à imperfeição. De maneira geral, é gente comentando como o que é perfeito é chato, como o que é perfeito não tem graça… Honestamente, eu acho isso tudo muito estranho! Pra mim, é uma ideia que não faz sentido.

Vamos colocar da seguinte forma: eu não vou mentir - eu sempre fui obcecado por fazer tudo direitinho, eu nunca gostei, nunca curti quando as coisas dão errado, quando as coisas não saem como desejado. Com o passar do tempo, fui percebendo que, na verdade, essa coisa da imperfeição realmente atrapalhava. E muito!

Aí, eu penso: a minha experiência de vida, tudo o que aconteceu comigo nesses 42 anos aponta pro uma confirmação quase incontestável de que, para tudo dar certo, tudo tem que ser perfeito! Não é como eu vejo pessoas ultimamente falando, louvando as imperfeições, que as imperfeições abrem espaço para a inovação, e a imperfeição permite descobrir coisas novas, e isso, e aquilo… Olha, isso nunca, nunca, nunca aconteceu comigo!

Aí, então, fico pensando nas experiências de vidas diferentes, ok, mas será mesmo que essas pessoas que tanto louvam a imperfeição realmente nunca tiveram problemas por isso? Será que, no final, realmente tudo certo será pra essas pessoas? Tá tudo bem mesmo? Será que, por causa de imperfeições, elas nunca sofreram prejuízos, danos, perdas de que elas nunca puderam se recuperar?

Eu realmente duvido disso.

O que eu acredito, acredito piamente, é que, no final, tudo tem que se encaixar direitinho, para as coisas darem certo! É como um carro, né? Se tiver alguma peça imperfeita lá dentro, você vai ficar no meio do caminho, você vai virar a esquina da sua casa e vai ter, de repente, o radiador estourado, soltando fumaça pra tudo quanto é lado, e aí você vai chegar atrasado no encontro, não vai conseguir pegar a sua filha na escola, não vai conseguir chegar a tempo pra entrevista de emprego…

Por outro lado, se tudo dá certo, se tudo sai direitinho como planejado, você vai causar uma boa impressão no encontro, vai conseguir chegar a tempo de pegar seu filho na escola, vai conseguir chegar até a entrevista de emprego, e aí vai você ficar tranquilo, tudo vai estar em paz, tudo vai estar sobre controle, tudo vai estar como deveria! Tudo estará perfeito!

Alguém aí, com certeza, já deve estar pensando alguma coisa do tipo “mas nunca se sabe,  pode ser uma coisa do destino, o carro quebrou porque não era pra você chegar até lá”... pode ser! Mas, ainda assim, eu tenho pra mim que essas são exceções pra confirmar a regra, porque, no geral quando as coisas saem dos trilhos, a casa cai!

Eu honestamente prefiro que tudo dê certo e honestamente prefiro que meu carro funcione no momento que eu preciso dele, preciso de que o forno funcione para que a minha comida fique pronta na hora certa, preciso ter a ideia certa na hora certa...

Aliás eu vou dar um exemplo: em informática, é bastante raro conseguir usar uma coisa assim de cara! Vai instalar um cabo, um programa, um acessório qualquer, tem sempre aquela luta para fazer tudo ficar como deveria… Já tentaram instalar um headset bluetooth no Windows 8.1? Nossa, é de chorar!

E GPS, então? Às vezes, ele não acha exatamente onde eu estou! Ele acha que eu tô na rua do lado, na outra pista… Quantas vezes já não me perdi por isso, já tive dor de cabeça por causa disso? Demorei mais para chegar, peguei mais trânsito..

Outro exemplo, o computador! Você o liga para ver um filme, por exemplo, e a imagem começa a travar… aí, você vê a luz do HD piscando feito louca - o bonito resolveu baixar e instalar atualizações bem na hora do filme!

Por outro lado, quando abro um programa e ele realmente funciona, eu fico calmo! Eu fico satisfeito e tranquilo! Quando o GPS mostra exatamente onde você que chegar, fica tudo bem! Sabem, quando eu consigo capturar ou captar a palavra certa pra usar numa tradução… Nossa, maravilhoso!

Pra mim, a ideia de felicidade passa pela perfeição! Para que tudo dê certo, para que a gente possa ficar tranquilo, sossegado e, por conseguinte, feliz, enfim, para tudo dar certo, tudo tem que estar na hora certa, no lugar certo, do jeito certo! Felicidade, para mim, é isso!

E, sim, eu sei, não vai ter jeito, não é assim que as coisas são, né? Não é assim que a banda toca, como já disse alguém. Eu sei que a vida é imperfeita, é defeito pra tudo quanto é lado, e olha, é terrível, às vezes, é difícil ter que lidar com tanta imperfeição, é difícil ter que lidar com tanta coisa fora do lugar, é difícil ter que lidar com tanta incompetência, com tanta inadequação, com tanta…

Enfim, melhor eu parar por aqui, porque esse texto não está perfeito… Paciência! Se bem que paciência é algo que eu não tenho, e, nossa, o que isso me atrapalha a vida… Pena que paciência não é uma coisa que se consegue no supermercado, né?

Nossa, isso seria perfeito!

quarta-feira, 23 de março de 2016

Autoajuda

Recentemente, em um vídeo no site Garota Sem Fio (veja aqui), a blogueira Bia Kunze entrevistou uma profissional que montou um espaço de coworking. Não vou ficar me alongando nessa parte, mas, lá pelos 21:50, a entrevistada disse uma coisa que me fez pensar: ela comentou sobre como essa coisa de deixar o próprio emprego, partir para o empreendedorismo e tal tinha virado uma espécie de "salvação da lavoura".
Eu ando lendo muito, na Internet, pessoas escrevendo artigos (às vezes, longos) sobre largar tudo e viajar pelo mundo, mudar de emprego a cada dois ou três anos, terminar relacionamentos ao menor sinal de problemas, etc, etc, etc... O ponto em comum desses artigos é: mude toda hora!
Aliás, não, minto, são dois pontos em comum! O supracitado e o, como direi, "você é o único responsável pela sua felicidade" (a tal autoajuda).
Mas, enfim, quando a moça da entrevista láááá do primeiro parágrafo disse o que disse, meio que me deu um clique, tipo, caiu uma ficha em relação a tudo o que eu estava lendo. E eu olhei para trás e para a frente.
Eu cresci com o meu pai trabalhando na mesma firma, sempre (tenho 42 anos). Ele conseguiu criar dois filhos (além de um cachorro e um monte de gatos). E vive uma velhice até que confortável.
Esses caras que vendem tudo e saem por aí em nome de um suposto aperfeiçoamento pessoal, de uma busca pela felicidade, o que eles vão criar? Memórias? Como eles vão construir algo para o futuro?
E eu olhei para mim e pensei: se eu largasse tudo hoje e fosse por aí, digamos, se eu passasse um ano viajando pela Ásia, ou pela Oceania, ou mesmo pela Europa, o que eu construiria? E quando eu voltasse para casa? Eu ainda teria a minha casa, para começo de conversa? Eu conseguiria um emprego novo? Eu tenho 42 anos, se eu saísse para um ano sabático, como eu iria me recolocar no mercado, depois? E mesmo não falando de viajar pelo mundo, se eu largasse meu emprego em troca dos meus sonhos?
"Ah, mas fulano conseguiu, sicrano viaja o mundo de barco com a família, beltrano abriu uma startup..."
Será que não são exceções? Será que as histórias que não dão certo seriam destaques em sites, blogs, portais? Quantos não foram abrir o próprio negócio e se deram mal?
As histórias que eu vejo de gente que partiram para o tal ano sabático, geralmente, são histórias de gente com MUITO dinheiro e/ou um patrocinador. Gente que tem reservas ou costas quentes, de modo que "arrisca" deixar tudo porque sabe que, no final, se der errado, tem como recomeçar.
Mas e as pessoas comuns? Um assalariado como eu, se eu jogar tudo para o ar e partir para uma vida de aventuras, o que acontece comigo se der tudo errado? E, mesmo que dê certo, como fica a vida, depois?
Viajar pelo mundo levando a família? Como é que você vai dar educação, escola para seus filhos? Aliás, nesse caso, você estaria NEGANDO uma vida normal para seus filhos: amizades duradouras, a turma da sala, o pessoal da rua. Passa um tempo num lugar, vai para outro, e outro, e outro, e outro...
"Ah, meus filhos vão ser cidadãos do mundo, pessoas com uma visão mais globalizada, mais aberta para novas culturas, mais abertos às diferenças..."
Hum, pode até ser. Mas pode ser também que eles fiquem perdidos no mundo, sem saber a que lugar pertencem. Sem amizades verdadeiras. Sem poder criar relacionamentos duradouros.
E, saindo da coisa da viagem para a coisa de ir atrás dos sonhos, mesmo ficando em seu lugar, tipo, você largaria seu emprego para virar pintor? Cantor? Que tal não ser tão radical e transformar isso num hobby?
Sabem, largar tudo em nome dos sonhos, da verdadeira felicidade, da busca pela iluminação pessoal é muito bonito, mas, no fundo, no fundo, só funciona em filme! Claro que há exceções, mas, justamente, elas estão aí para confirmar a regra! A realidade é outra, gente, e requer dinheiro na conta do banco, para se ter o mínimo de segurança e tranquilidade. Que são as bases da vida de verdade!
O resto é ilusão!
Tanto que, de algum tempo (não muito) para cá, eu já vi uma ou duas pessoas publicando textos sobre esse outro lado. Quem sabe está vindo aí uma conscientização, um contraponto a essa cultura questionável de buscar a felicidade por meio da instabilidade?
PS: o termo "autoajuda" me causa muita estranheza. Afinal, se você precisa de ajuda, é que porque não está dando conta do recado sozinho, então, como é que vai ajudar você mesmo?